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Fotos: Getúlio Moura MACAU, QUERIDA (E SOFRIDA) MACAU Não sou macauense de nascimento, mas o sou de coração e por opção. Aqui cheguei há mais de vinte e cinco anos, como funcionário público(da COSERN), e fui recebido de braços abertos por este povo tão generoso. Aqui criei meus filhos, aqui me aposentei e fiz desta cidade a minha cidade. Me aclimatei de tal forma a Macau, que é como se a vida inteira eu tivesse vivido aqui. Por isso mesmo me dói tanto, ver pessoas sem qualquer compromisso com o povo, assumindo os destinos desta cidade. Não raro ouço dos seus legítimos filhos, num misto de tristeza e impotência, frases como esta: Macau é "a terra do já teve ou do já foi". Quando ouço isso, as vezes também tenho surto de depressão, mas logo me recobro, e vejo que não é preciso continuar assim. Podemos mudar isso, temos a arma necessária(nosso voto) para realizar a mudança. A questão é saber usar essa arma, o que, infelizmente não é o caso da maioria. Pelo menos não foi assim nas últimas eleições. Mas democracia é assim mesmo, ás vezes custa bem caro. Não bastasse a falta de conscientização política, a dolorosa condição sócio-econômica, destroi muitas consciências, levando tantos a se venderem por tão pouco. Na realidade, Macau está abandonada à própria sorte. Em termos políticos e de administração pública, estamos atravessando o período mais negro da nossa história. Saúde, segurança, transporte públicos, nada funciona ou funciona muito mal. Para uma cidade calma e pacata como Macau, cinco, seis assaltos em menos de um mês, é demais, é preocupante, é escandaloso, vergonhoso! O centro da cidade hoje é um caos total. Camelôs invadem as calçadas, empurrando literalmente os pedestres para o meio da rua, obrigando-os a uma acirrada e perigosa disputa com carros, motos e bicicletas. Mototaxistas estabelecem seus pontos onde bem lhes dá na telha. Vejamos alguns exemplos da desordem que impera em Macau. Na esquina da rua Martins Ferreira com a Padre João Clemente, ao lado do Porto de Ama, existe um ponto de mototáxi, em local totalmente inadequado. Quando ocorrer um acidente, talvez as autoridades tomem alguma providência. Ainda na Martins Ferreira, no trecho entre a Caixa Econômica e a rua Amaro Cavalcante, os camelôs tomaram completamente as calçadas, num flagrante desrespeito a pedestres e comerciantes legalmente estabelecidos. No início do calçadão, próximo à Farmácia Moreira, montou-se uma verdadeira feira de frutas e verduras, simplesmente esparramadas pelo chão. Os pedestres que se virem! Não se vê uma providência dos poderes públicos. A gente sabe que todos precisam defender seu pão de cada dia, mas dá para fazer isso dentro da Lei e da ordem. Só que antes é preciso autoridades que imponham respeito e façam cumprir a Lei. Fico pensando... Com tantos filhos dígnos, honestos e competentes, Macau teve a infelicidade de eleger como Prefeito justamente um forasteiro, que não tem qualquer compromisso com seu povo. Ser Prefeito em uma terra que não é a sua, é até aceitável, mas a falta de compromisso para com a cidade e o pvo que o elegeu, é IMPERDOÁVEL. Para ficar só em mais um exemplo: o caos na saúde pública de Macau, é emblemático, fala por si próprio. "O crime é contagioso. Se o Governo quebra a Lei, o povo passa a menosprezá-la". Louis D. Brandeis.
Escrito por Jovanil Lima às 11h33
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